Acompanhe em tempo real tudo que acontece no desfile do Dois de Julho

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Baianos e turistas relembram Independência da Bahia

Não tem nenhuma data no calendário de festas da Bahia que supere o Dois de Julho no quesito da participação popular. O Dois de Julho é a festa do povo, feita pelo povo, para o povo e com o povo sendo como protagonista que faz a data cívica mais importante da Bahia ficar viva na história. A festa surgiu com o povo, pela mobilização do povo e segue firme e forte com a participação popular desde 2 de julho de 1823, quando a Bahia tornou-se independente do domínio colonizador de Portugal. É justamente o povo que será homenageado nesta terça-feira (2) na cobertura do CORREIO dos festejos cívicos deste ano. Confira, em tempo real, tudo que acontecerá no desfile. 

E quando a família toda veste a fantasia? 
É o caso do cuidador de idosos Marcel Carvalho, 29, que se fantasiou pelo sexto ano, dessa vez junto com os filhos. Do lado dos pequenos Gerson e Ketlen ele espera ser premiado pela quarta vez no concurso de fantasias que participa. 

O secretário de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), vice-prefeito Bruno Reis, exaltou a força do povo baiano durante o cortejo cívico do Dois de Julho, na manhã desta terça-feira (2). “Unida, a Bahia demonstrou garra e bravura, dando uma contribuição definitiva na luta pela Independência do Brasil, que se libertou de uma vez por todas do domínio dos colonizadores. A nossa história é gloriosa. E a nossa gestão trabalha muito para preservar a cultura e as tradições da nossa terra”, afirmou Bruno. Ao lado do prefeito ACM Neto, Bruno Reis caminha pelas ruas, desde a Liberdade até o Pelourinho. Por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), a Prefeitura de Salvador organiza os festejos da Independência do Brasil na Bahia, cujo tema deste ano é “Patrimônio do Povo”.  

Foto: Divulgação

Tão tradicional quando os caboclos são as fachadas decoradas no caminho do cortejo…

Foto: Thais Borges/CORREIO

O professor universitário Rômulo Magalhães, 53, transforma a porta da casa da família onde já morou em um mini bar, com direito a lanches, bebidas e até espetinho na chapa. “Da pra curtir, protestar e ainda garantir um trocado”, explica. O professor acredita na força da festa. “Dois de julho mistura civismo, religiosidade, e é claro diversão. Vale muito a pena”, opina.

Foto: Gabriel Amorim/CORREIO

O governador em exercício, João Leão, chegou na Lapinha por volta das 8h, acompanhado sua comitiva. Ele destacou a bravura do povo baiano no processo da independência e disse que o 2 de Julho é o dia de orgulho para todo o país. “Essa festa é um sinônimo do que é a Bahia e o Brasil. Foi aqui que aconteceu a verdadeira independência da Bahia e do Brasil. Esse é um dia para venerar o povo baiano, com a consciência que nós devemos trabalhar sempre e cada vez mais pela Bahia”, afirmou. O governador em exercício ultrapassou o carro dos caboclos e seguiu sua caminhada com a comitiva a frente do cortejo da oficial da festa. Ele foi embora no cruzamento entre as ruas dos Perdões e Vital Rego, no Barbalho, por volta das 9h. 

Ele representou o governador do estado, Rui Costa, que está em viagem oficial para a Espanha. “Foi na Bahia que se deu a verdadeira independência do Brasil. Hoje, nós, baianos, lutamos todos os dias com muito trabalho, determinação, coragem e fé em Deus para modernizar nosso estado, gerar emprego e renda, melhorar a vida da nossa gente e vencer todos os obstáculos”, afirmou Costa, em nota. 

Foto: Thais Borges/CORREIO

Batuque como uma garota! 
Há seis anos, as estudantes Naiara Santos, 16, Natália Santos, 18, e Uiliane Mirian, 21, participam do Dois de Julho com o projeto Tambores e Cores. De pouco mais de 80 jovens integrantes, são apenas sete meninas. “Tem essa questão do machismo, que acham que menina não pode tocar, não pode pegar peso, mas menina pode fazer tudo que quiser”, diz Uiliane. Para elas, a melhor parte do cortejo é justamente tocar músicas que vão do hino da Bahia ao samba reggae. “Acho que falta conhecimento para os jovens se interessarem pelo Dois de Julho. A educação não ajuda as pessoas a conhecer a história”, afirma Natália.

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O presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Junior, também depositou flores, além de representantes das forças armadas, da polícia militar e dos bombeiros.

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8h23
Multidão se concentra em frente ao Pavilhão 2 de Julho para ver o hasteamento das bandeiras do Brasil, da Bahia, e de Salvador. Em seguida, o governador em exercício, João Leão, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Nelson Leal, e o prefeito de Salvador, ACM Neto vão para depositar flores no monumento ao general Labatut, parte do ritual da festa.


 

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Memorial e documentário 

O presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, afirmou que há um projeto em execução para transfomar o prédio onde os caboclos ficam ao longo do ano em memorial. “Estamos trabalhando para fazer dessa casa um memorial. A ideia é que a gente consiga transformar esse ponto. Com dois aspectos interessantes: que as pessoas da cidade consigam conhecer melhor a história do Dois de Julho e também transformar isso aqui em um ponto turístico. A Lapinha é um bairro maravilhoso e toda essa região precisa ser reativada, a cidade precisa vir mais aqui”, afirmou Gerreiro destacando que  projeto está pronto e está em fase de captação de recurso. A ideia é que seja entregue até o final da atual gestão, em 2020. 

Durante o cortejo deste ano está sendo gravado um documentário. ” Esse ano como o tema é Patrimônio do Povo a gente está fazendo um documentário do Dois de Julho sob a perspectiva popular. Ou seja, entrevistar as pessoas que participam, os quebra- ferro que ninguém conhece, são os que puxam o carro. Os fiéis, as pessoas que são apaixonadas pelo cabloco, ou seja, todo o trabalho mostrando que essa festa talvez seja a festa mais popular da cidade”, afirmou Guerreiro. 

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De mãe para filha 
Desde criança, a servidora pública Catarina Mello, 46, vinha acompanhar o Dois de Julho com a família. No entanto, nunca tinha trazido a filha, a pequena Rafaella, 9, por conta da aglomeração. Esse ano, viu a organização e decidiu trazê -la. “A gente acaba perdendo essas tradições, mas estou tentando resgatar com ela. Eles precisam conhecer a história para se importar com ela”, diz. Moradoras de Lauro de Freitas, saíram de casa às 6h10. Mesmo assim, Rafaella afirma que não teve problemas em acordar cedo, às 5h30. “Achei legal, é diferente”.

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Em família 
A tradição da família da aposentada Maria de Fátima Cerqueira, 57 anos, é se reunir para ver o cortejo passar. Pelo menos mais dez pessoas eram esperadas para ficar na porta da casa da tia de 90 anos. “A primeira vez que vim, eu tinha 6 anos. Mudou muita coisa, mas a gente tem que prestigiar”. Ela faz o neto, o pequeno Gabriel, 4, o mesmo que fazia com as filhas quando criança. “Trago para conhecer desde cedo. Quando ele chegar na idade de entender melhor, já vai saber a história. A mãe dele não veio hoje, porque está trabalhando, mas minha outra filha está de folga e veio”, conta, referindo-se à farmacêutica Marília. 

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Falta pouco para o desfile deixar a Lapinha 


Força e aniversário de Cosme
Há 40 anos, Cosme festeja o aniversário no pé do caboclo. “O caboclo é o simbolo da Bahia”. O caboclo também é um símbolo na história de Cosme Santos, 70, o agente de obras públicas que desde os 14 anos nunca parou de trabalhar. “Peço força e resignação sempre”, diz ele, que pretende deixar o batalhão somente quando se aposentar.

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Maria Quitéria é pop! 

É até difícil falar com Maria Quitéria. A vendedora ambulante Romilda Anunciação, 54 anos, não passa um minuto completo sem receber pedidos de foto. Mas ela, que encarna a heroína baiana há 39 anos, diz que só fica feliz por ser reconhecida como Maria Quitéria, com quem se identifica pela história de vida. “Maria Quitéria fugiu de casa, eu também fugi. Ela escreveu uma carta para o pai, eu escrevi para minha mãe”, explica. Nunca recebeu nada por reviver a personagem. “Faço muito feliz. A única coisa que eu queria era conhecer Rodrigo Faro”, conta, revelando uma camisa com a foto do apresentador por baixo do manto da heroína.

Foto: Thais Borges/CORREIO

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Eles levam os caboclos 
“Me sinto levando a bandeira da liberdade”, diz Jorge Hamburgo, 51 anos. Há 15 anos, o funcionário público faz parte do Batalhão Quebra-Ferro, que leva as imagens do Caboclo e da Cabocla. O colega Manuel Jesus faz o mesmo trabalho há 10 anos. “É bom demais isso isso aqui”.

Foto: Fernanda Lima/CORREIO

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Tradição!
Dona Glória Melo, 77 anos, mora na mesma casa, no Largo da Soledade, desde que nasceu. Quando criança, viu o pai se envolver com a organização da festa, enquanto ela desfilava com as escolas. Mesmo achando que muita coisa mudou, não deixa de acordar cedo para acompanhar o inicio do cortejo cívico na varanda de casa.

“O que mais gosto é por ser uma manifestação popular, do povo. É o povo que continua alimentando e as pessoas de idade vêm porque acreditam na história”, diz ela, que acompanhou a alvorada de fogos às 6h.


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O guia de turismo Antônio Brandão, 66 anos, cresceu vindo ao desfile do Dois de Julho. “Vivi isso. Depois li sobre, mas vivi tudo antes”, conta. Nos últimos anos, nem sempre consegue vir ao cortejo. Mas, quando vem, está vestido a caráter. O cocar, por exemplo, é uma lembrança de sua mãe, que era índia tupiniquim. “Sempre tento vir assim nas manifestações populares porque eu vivo de história”.

Foto: Thais Borges/ CORREIO

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Você conhece a letra do hino da Independência da Bahia? 
A letra é de Ladislau dos Santos Titara e a melodia por José dos Santos Barreto:


Nasce o sol a dois de julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro.

Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações.

Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a pátria defender
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer.

Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações.

Salve, oh! Rei da Campinas
De Cabrito e Pirajá
Nossa pátria hoje livre
Dos tiranos não será.

Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações…

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Salve, Dois de Julho! 
O carro da cabocla já está posicionado na saída da Lapinha para a saída do cortejo. Ela, como acontece em todos os anos, sairá à frente do carro com o caboclo, que vem logo atrás. A diferença neles é a cor. Ano passado estavam de branco. Dessa vez, de azul

Foto: Thais Borges/CORREIO

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Precisa ir ao supermercado? Vai no shopping? Confira o que abre e fecha no feriado de 2 de julho em Salvador

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Políticos baianos utilizam de Dois de Julho como termômetro de popularidade; O ex-senador ACM foi político que mais participou de desfiles

Em 2001, o ex-senador ACM, o presidente da Rede Bahia ACM Júnior e o prefeito de Salvador ACM Neto juntos no desfile cívico (Welton Araujo/Arquivo Correio)

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Este ano a premiação do Concurso de Fachadas aumentou o valor e vai premiar com R$ 2 mil, R$ 1,5 mil e R$ 1 mil, as três melhores decorações das fachadas situadas no trajeto do cortejo do 2 de Julho, entre a Lapinha e o Terreiro de Jesus . 

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Se ligue na programação:

Cortejo
6h Alvorada com queima de fogos no Largo da Lapinha
7h Concentração para o cortejo, na Lapinha
9h Saída do desfile
11h30  Previsão de chegada do cortejo à Praça Municipal
15h  Começo da segunda parte do cortejo, da Praça Municipal até o Campo Grande.
15h30 Cerimônia Cívica no 2º Distrito Naval
16h15 Previsão de chegada dos carros do Caboclo e da Cabocla e das autoridades, ao Campo Grande.
17h  Acendimento da pira do Fogo Simbólico pelo nadador olímpico   Edvaldo Valério

Filarmônicas
Das 18h às 20h  – 28º Encontro de Filarmônicas, no Campo Grande. Começa com  o Coral e Filarmônica da Escola Técnica São Joaquim e Filarmônica Ambiental de Camaçari. Em seguida, se apresentam as filarmônicas Lyra Ceciliana, de Cachoeira; 9 de Maio e João Dourado; Lyra Popular, de Belmonte; e a Oficina de Frevos e Dobrados, que se apresentará com uma participação especial de Juliana Ribeiro.
 

*com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

Fonte: Correio da Bahia

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