Bahia recebe primeira edição do Fashion Resort – Made In Brazil

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O Fashion Resort - Made In Brazil se propõe a ser o novo centro pulsante para se discutir a moda

Evento aconteceu em Arraial D’Ajuda , na Costa do Descobrimento

A Costa do Descobrimento, no Litoral Sul da Bahia, foi a escolhida para ser o mais novo  palco da moda no Brasil. O Fashion Resort em sua primeira edição, que aconteceu no último fim de semana de outubro no Arraial D’ Ajuda Eco Resort, em Arraial d’ Ajuda – um dos destinos mais visitados em Porto Seguro, na praia da Ponta do Apaga-Fogo com vista para o Rio Buranhém, uniu bom gosto, criatividade, sofisticação e versatilidade que só a moda brasileira possui.

O Fashion Resort – Made In Brazil  se propõe a ser o novo centro pulsante para se discutir a moda no país.  O Made in Brazil quer dar visibilidade a moda regional  e mostrar os diferentes ‘Brasis’ dentro  do Brasil, evidenciando  a marcas e artistas brasileiros para o cenário internacional da moda e do design. 

Com realização e produção da Dreamakers, o evento reuniu estudantes de moda de todo o país, lojistas , estilistas, fotógrafos, artesãos e produtores de conteúdo ávidos  e atentos para  trocar informações de como se posicionar no cenário da moda brasileira, levando em consideração as exigências do mundo atual, em termos de conexão e interatividade. O evento foi patrocinado Vogue Eyewear, do grupo Luxóttica, maior fabricante de óculos do mundo e Facextrade, exportadora das principais marcas de moda e design do Brasil.

“O Litoral Sul da  Bahia foi escolhido porque expressa muito bem as referências da brasilidade do nosso país. A Costa do Descobrimento retrata a história do Brasil, onde tudo começou, isso tem uma simbologia muito forte, não tinha um cenário melhor para isso. A Bahia tem artesãos que produzem peças maravilhosas e possui moda de qualidade, aliás, o Brasil todo tem talento de sobra para ser mostrado e descoberto. Acredito que a nossa história e cultura são transmitidos através da arte e da moda e o  Fashion Resort – Made in Brazil quis repassar isso para o público em toda a sua essência. Conseguimos trazer referências de moda para este projeto porque queremos gerar visibilidade de marcas e artistas brasileiros para o cenário internacional da moda . Pensamos em um evento que pudesse contemplar a artesãos que produzem suas peças de maneira sustentável e com criatividade à marcas que querem se estruturar e elevar a moda brasileira a outro patamar ”, diz a produtora do evento e diretora criativa da Dreamakers, Carla Wolff.

O evento, na sua primeira edição, teve como parceiros o grupo UAL, que trouxe a Central Saint Martins (escola de moda número um do mundo) e a London College of Fashion, que apresentaram masterclasses com foco no International Fashion Business, tema do Fashion Training Program (FTP), um programa de qualificação profissional para estudantes e profissionais do mercado da moda. 

O masterclass da escola Central Saint Martins abordou o tema Fashion Design (Desenho de Moda) e prestou uma consultoria sobre processo admissional e preparação de portfólio para estudar no exterior.

A London College of Fashion trouxe o tema  Bringing a Fashion Collection to an International Market (Adaptando uma Coleção de Moda ao Mercado Internacional)  esclarecendo questionamentos de designers e marcas com o objetivo de sanar as dúvidas do mercado quanto a internacionalização de uma marca e adaptação de suas coleções para o mercado internacional.

Foram estes conhecimentos que encantaram a estudante de Design de Moda Gabriella Tondelo, 21  anos. Ela, que cursa o sexto semestre do curso na Unicesumar em Maringá, no Paraná, afirma que o evento foi “inspirador”. 

 “É a minha primeira vez na Bahia, aqui é lindo. Unir a beleza deste lugar com as expertises das masterclasses foi muito agregador para mim, como estudante de moda. Tirei diversas dúvidas, adquiri conhecimento  e estratégias e vi que é possível sim, viver de moda no Brasil. Vou sair daqui com um outro olhar sobre moda”, disse a estudante, que  possui como objetivo realizar uma pós-graduação em Jornalismo de Moda e trabalhar em uma revista. “Desde que vi o Diabo Veste Prada, sempre sonhei em trabalhar [em uma revista especializada em moda] e falar sobre a moda de uma maneira inteligente para as pessoas, que todos possam entender. A minha família tem me apoiado bastante.”


Gabriella Toledo estuda Design de Moda e visitou a Bahia pela primeira vez – Foto: Morgana Montalvão

O evento contou com desfiles de moda e showroom com empresas que quiseram ampliar e valorizar os produtos brasileiros com o intuito de movimentar a economia com a exportação de novos negócios e disseminar o trabalho das marcas, estilistas e artistas participantes. 

Desfile da Blueman



O desfile da Blueman aconteceu no Arraial D’Ajuda Eco Parque – Fotos: Márcia Fasoli

Desfile da Empress Brasil


A Empress Brasil é uma linha de bodies, biquinis, maiôs e saídas de praia de luxo – Fotos: Márcia Fasoli

Desfile da grife Helena Caio


A grife Helena Caio é conhecida pelo acabamento artesanal em peças de couro – Fotos: Márcia Fasoli

Desfile da Fabi Freixo


As peças da marca Fabi Freixo são feitas com uma malha superfina dando leveza as roupas – Fotos: Márcia Fasoli

Desfile da Amapô


A marca Amapô é conhecida por trabalhar com estampas de cores tropicais e padronagens lisérgicas – Fotos: Márcia Fasoli

Treinamento em Moda

O Fashion Training Program  foi composto por talks mediados por Dudu Bertholini, Carol Ribeiro e Patrícia Carta (jornalista e editora da revista Harper’s Bazaar Brasil)  que discutiram a internacionalização de marcas brasileiras e também o caminho inverso das marcas internacionais, que tiveram que se adaptar ao mercado nacional.

Dudu Bertholini, um habituée do cenário da moda do Brasil, estilista e embaixador da primeira edição do Fashion Resort Made In Brazil, crê que a moda no país não é mais a mesma e tem o papel de passar uma mensagem para as pessoas.

“ A moda hoje tem um papel transformador, um compromisso de gerar impacto positivo, de traduzir o mundo a nossa volta. Essa tradução não é só olhar para o mar e se inspirar nele e fabricar uma peça de roupa e ponto. A gente tem que devolver para as pessoas uma moda ancorada na valorização local, na inserção social e com um lucro limpo para o nosso país”, diz o estilista.


Dudu Bertholini já foi stylist de grifes como Triton, Carlota Joakina e Colcci – Foto: Morgana Montalvão

Para ele, a alta carga alta carga tributária para a indústria têxtil no Brasil contribui para elevar o preço das peças de roupas e  isso necessita ser mudado.

“Produzir moda no Brasil custa caro, nossa indústria tem muito o que caminhar e melhorar em  muitas coisas .  Creio eu, que seja justo produzir uma roupa com qualidade e ofertar para o consumidor com um preço alto, para cobrir os custos de produção. No entanto, ao fazer isso, por muitas vezes , tornamos a moda inacessível, na qual poucos podem pagar.  É preciso repensar os processos e métodos da indústria têxtil no Brasil que torne o processo de produção das roupas mais barato na escala industrial. Isso com certeza, ajudaria a construir novos  modelos de negócios e contribuiria para impulsionar o mercado”.

O estilista afirma que o Brasil já está descentralizando a moda do eixo Rio-São Paulo e que isso acontece em algumas semanas de moda do país como o Dragão Fashion (Fortaleza -CE) e Minas Trend ( Belo Horizonte -MG) . Dudu ressalta que essa descentralização é importante para valorizar os diferentes regionalismos do país.

“É importante fazer um  exercício real de empatia, responsabilidade social e apoiar as iniciativas regionais , locais, consumir, valorizar e divulgar os estilistas de outros estados de Brasil. Isso já vem acontecendo através uma descentralização de locais, raças, classes, gêneros , saberes e estilos, tendo diversidade. A gente está em um momento que favorece este novo pensar de fazer moda. Criadores e consumidores precisam olhar para o regional e lutar cada vez pela descentralização. Diversidade é a palavra”, conclui Bertholini
Mas, o que seria moda para um estilista? Dudu responde: Aprendi com a Gloria Kalil que moda é um sistema de renovação permanente que traduz o desejo das pessoas.  Ela é um espelho do mundo a nossa volta, ela fala muito do pensamento humano em cada espaço de tempo onde ela acontece. Quando se parte para o saber da Antropologia, a moda faz uma tradução de quem nós somos. Quando se olha a moda como uma mera ditadura de tendências, de regras, isso é muito vazio, raso, sem sentido. O mundo já tem regras demais. Moda é diversidade e este olhar a torna muito mais interessante e plural.

Para Patrícia Carta, que também já foi editora da Revista Vogue no Brasil, a moda brasileira tem um problema em ser competitiva por questões mercadológicas.

“ O grande problema do Brasil é o mercado da moda não ser competitivo e dinâmico e a coisa piorou com a entrada da China, que tem um mercado global inteiro disponível para suprir esta demanda. É difícil realmente ser competitivo neste país. Fazer e produzir moda aqui é muito caro. Produzir uma peça com qualidade e com preço acessível é um desafio muito grande. Eu sei que temos bons criadores que têm muito talento, mas, no entanto, eles talvez não tenham fôlego e nem força para entrar no mercado e trazer mais dinamismo na indústria têxtil nacional. Falta um incentivo para este setor ser mais atrativo. Fora que o brasileiro ainda tem esta questão um pouco provinciana de achar tudo o que vem de fora é melhor. Isso já vem sendo quebrado com a valorização do handmade (tendência que valoriza peças feitas à mão), é um resgate das nossas origens, é algo que é cara do Brasil e que vale muito à pena ser estimado e valorizado pelos consumidores”.

Carta considera que as pessoas têm entendido que não é preciso gastar muito dinheiro para se vestir bem e que esta nova geração se arrisca mais e se expressa com muito mais facilidade e identidade.

O que seria moda para a editora da revista  Harper’s Bazaar (a revista possui 148 anos de história e está no Brasil há 8 anos)?  Patricia Carta responde: Cabem muitas respostas, mas a moda é muito dinâmica. Ela é lúdica e fluida na criação, mas, objetivamente ela é um business, um negócio e precisa ser  rentável.  Moda é subjetividade e objetividade ao mesmo tempo.

Para a modelo e apresentadora Carol Ribeiro,  também embaixadora do Fashion Resort – Made in Brazil,  a Bahia  mostra o “balangadã” que a moda brasileira tem.

Foto- Morgana Montalvão



“Eu estou na Bahia, no Nordeste e, não tem lugar melhor para falar e discutir sobre moda no Brasil.  A Bahia tem o DNA do Brasil e a moda nordestina expressa muito claro isso. O Nordeste tem nuances e particularidades únicas, tem algo de diferente e inovador nas bandas de cá. O Brasil não é só aquela moda tropical, batida, cheia de cores fortes. Há o Brasil dos tons pastel, da alfaiataria, do corte e caimento que modelam o corpo de uma maneira legal. Prestar atenção nos regionalismos  do nosso país é uma forma de apresentar uma nova moda do Brasil para os brasileiros.” 

Amir Slama, foi o criador da marca de moda praia mais famosa do Brasil – Rosa Chá ( que ajudou a levar o nome da moda praia brasileira a nível global) e hoje, dirige uma marca com seu próprio nome, desde de 2011, considera que o Brasil necessita ter um projeto que pense e discuta a moda brasileira a nível mundial. 

“A moda colombiana e a australiana têm apoios dos seus governos. Falta apoio do Governo Federal em conceder incentivos para as marcas. Não é subsídio, eu digo da extrema importância de revermos a nossa legislação tributária,  é algo extremamente absurdo. Necessitamos de qualificação e renovação da mão de obra, de fortalecer a indústria têxtil  para ganharmos nas exportações, de ter um projeto que faça o Brasil seja notado por ser um grande polo de moda, com tecnologia, com gente criativa, com talento e com expertise. É importante mostrar o que se é produzido nos estados do Brasil, o diferente, o regionalismo, aquilo que traz o novo. Nós não podemos ser bairristas. Uma moda forte dá retorno financeiro ao seu país”, diz o estilista que crê que no Brasil, o conceito de moda, passa longe de ser algo relacionado a uma peça de roupa.  “Moda é tradução de um estado de espírito. Roupa não é só para proteger o corpo, mas sim, expressar quem aquela pessoa é. A gente sabe desenvolver uma moda de se vestir no verão e faz isso muito bem.  A moda no Brasil é a mistura racial, cultural e religiosa, é uma mistura que exala sensualidade. Nós estilistas procuramos traduzir essa sensação desta mistura, desse caldo cultural, nunca impor.”

Amir Slama comandou a grife de moda praia Rosa Chá – Foto: Morgana Montalvão

O estilista completou 30 anos de carreira e um desfile comemorativo em sua homenagem foi realizado  evideciando a importância das suas criações para a moda praia nacional e internacional.

Desfile Amir Slama


Desfile Amir Slama – 30 anos de carreira – Fotos: Márcia Fasoli

Economia criativa

O Espaço Economia Criativa reuniu artistas de design de mobiliários e acessórios de maneira sustentável, também fez parte do Fashion Resort – Made in Brazil e, se dispôs a mostrar o trabalhos dos artesãos locais de Porto Seguro e região. Para Carolina Paranhos, curadora do Espaço Economia Criativa, juntamente com a organizadora do Fashion Resort- Made in Brazil, Carla Wolff, e fotógrafa, o evento serve como uma vitrine para os artesãos se sentirem valorizados. Ao todo, 12 artesãos participaram do evento.

“Arraial D’Ajuda é um lugar cosmopolita, atrai muita gente. A Economia Criativa agrega em um único lugar, moda, arte e sustentabilidade. Economia Criativa é uma nova forma de gerar emprego e inovação. O Fashion Resort -Made in Brazil é uma experiência colaborativa, estética e criativa, possibilitando trocas e parcerias com benefícos para eles. É uma maneira que os artesãos têm de se sentir valorizados e mostrar o seu trabalho para várias pessoas, isso significa muito porque dá visibilidade”, diz ela, que é especialista em Criação de Imagem e Styling de Moda pelo SENAC São Paulo.

Paranhos também já  trabalhou como “Fashion Contributor” da Radar Magazine (revista Australiana direcionada para a comunidade latinoamericana) em Sydney  e também integrou a equipe de direção de arte do filme ‘Ó Pai, Ó”, da diretora Monique Gardenberg, em 2007. Mas, o que significa moda para uma mulher que se intitula como ‘multifacetada’? Carol Paranhos responde: moda é comportamento,  uma forma de imprimir a sua personalidade dentro de um contexto. Eu vejo a moda como uma porta que se abre para várias possibilidades.

Foto: Morgana Montalvão

Carolina Paranhos foi  a curadora do Espaço Economia Criativa

Para Danilo Almeida, 32 anos, aracajuense que mora há 25 anos na Bahia, criador e designer das marcas de sandálias artesanais  Percatas Luar do Sertão, moda é uma forma de se expressar,  sendo “uma oportunidade da pessoa de se mostrar como ela é por dentro.” O filho caçula (de um total de 7 irmãos) sempre se aventurou no mundo da moda e a vê  um estado de espírito. Almeida já foi estoquista, vendedor e gerente de loja não crê que para estar bem trajado, se necessite pagar caro.

Foto: Morgana Montalvão

“ Eu não preciso gastar rios de dinheiro para estar na moda, sempre acreditei nisto como filosofia de vida. A minha marca  é feita à mão  e eu uso pneu de avião reciclado e couro de carneiro. Esse é o  meu diferencial. Sempre quis criar um produto que tivesse a minha cara e eu consegui. Trabalhar com moda é despertar o sonho das pessoas e poder estar presente em momentos importantes da vida dela”.

Foto: Felipe de Souza LisboaAs Percatas Luar do Sertão calçavam os pés das modelos nos os desfiles do evento

A marca baiana Dona Canela  do casal Carlos Roberto Santos e de Tarsis dos Santos Rocha foi uma das que participou do Espaço Economia Criativa. A marca produz bijuterias, colares e brincos tudo à base de matérias primas naturais como cravo, canela e noz moscada.  A marca possui um ano de existência  e viu no evento uma oportunidade de mostrar a sua produção.

“Este evento pode dar visibilidade não só a nossa marca mas a outras que trabalham como moda e itens de decoração. Isso é bem positivo porque expõe o nosso trabalho para clientes e possíveis compradores. Na moda, divulgação é tudo, é a base do trabalho de um estilista ou designer. Nós desenvolvemos produtos a partir de especiarias como a canela, nosso material é todo natural e isso chama a atenção. As palestras  que assistimos nos mostrou como destacar e vender de maneira efetiva os nossos acessórios”, enfatizou Tarsis.

Foto: Morgana Montalvão

A Associação Pescadores de Sonhos em Ação faz trabalho de artesanato e peças decorativas usando a vitrofusão (fusão do vidro) e desenvolve um trabalho social com a comunidade de Santo Antônio de Cabrália.

Parte da renda dos produtos vendidos vai para uma rede de apoio que trata de empoderar as mulheres da comunidade e ajudar na formação das crianças da região.  O carioca Ildeu Manso chegou  há 30 anos ao litoral sul do estado e nunca mais voltou. Ele, que é economista e foi professor universitário, viu na Bahia uma possibilidade de ter qualidade de vida e ajudar outras pessoas.

“A primeira vez que vim aqui eu fiquei louco. Não voltei mais para casa . Me fixei em Vila de Santo Antônio  de Cabrália e aos poucos eu e a minha esposa começamos este projeto social para ajudar a comunidade.  O projeto nasceu também para empoderar as mulheres da vila, oferecendo uma possibilidade de renda através do artesanato local e de outros projetos como o ensino de música para as crianças.  A comunidade desenvolve o trabalho de vitrofusão e fabrica peças de decoração ou acessórios.  Nós vendemos estas peças em toda região, para grandes e pequenas pousadas e até mega resorts. A renda das vendas destes produtos são investidas na comunidade, em cursos de aprimoramento e utilizadas para a Rede de Apoio às Crianças de Santo Antônio e Orla Norte. Incentivar o artesanato local criando projetos de valorização da comunidade e capacitação das pessoas traz retorno, não só financeiro, mas faz com que eles tenham mais qualidade de vida. Todos saem ganhando” diz Ildeu Manso Vieira Jr.

Foto: Morgana Montalvão
 

Havaianas


 As Havaianas também marcaram presença no evento de moda para lançar a sua nova coleção de Rasteirinhas Havaianas, apostando forte no conforto para o verão 2020. Com seis diferentes modelos de sandália, a marca traz chinelos fashionistas, unindo estilo e conforto, característica típica da marca. 

Com a proposta de uso urbano, a marca aconselha que as novas Rasteirinhas Havaianas não sejam usadas em ambientes molhados, se encontrando em categoria mais premium dentro da linha.

Fotos: Morgana Montalvão

Foto: Monalisa Sento Sé

A Alpargatas – Empresa de Calçados e Artigos Esportivos , fabricante das Havaianas, além das marcas Oskeln, Mizuno, Dupé e Topper Argentina, está voltada para a diversidade da população brasileira e convidou um time seleto de digitais influenceres negras para participar do Fashion Resort – Made in Brazil.

Maíra Azevedo, conhecida pelo perfil Tia Má, no Instagram,  foi uma das convidadas pela marca para participar do evento e crê que a moda tem um papel fundamental de incluir outros biotipos de corpos. “Sou uma mulher preta e gorda e me sinto maravilhosa.  Tenho um compromisso com os meus seguidores de falar a todo momento de que eles são pessoas que não necessitam ficar presos a padrões estéticos e regras. Eu não preciso seguir um padrão para ser aceita. As coisas estão mudando, as pessoas estão se tornando mais conscientes em relação a isso, mas,  ainda é preciso  falar sobre a  diversidade e inclusão a todo momento. É um trabalho contínuo.  O fato de a marca ter me chamado para estar aqui e notar que o meu trabalho como uma influencer digital afeta as pessoas de maneira positiva, diz muita coisa. Eu tenho uma relação afetiva com as Havaianas, todo brasileiro tem. Eu uso as sandálias e me sinto muito confortável e cheia de estilo, é uma marca que é patrimônio do Brasil”.

Luane Dias, ex-integrante do elenco do reality show a Fazenda também foi uma das convidadas  pelas Havaianas. Para ela, que está na primeira vez na Bahia, o fato de a  marca ter chamado digitais influencers negras demonstra a necessidade de se discutir a todo instante a inclusão do negro no mercado da moda. 

“Eu percebi que não sou a única negra do evento. Isso é muito positivo. Eu recebo mensagens de outras meninas negras que torcem por mim, compartilham suas histórias comigo. Muita gente fala que trabalho de digital influencer é bobagem, uma mera ilusão. Não é, não. Meu trabalho eleva a auto estima das  mulheres negras. Nós também podemos falar sobre moda e trabalhar com isso. Eu estou integrando o casting de uma grande marca que é extremamente popular  e que todo mundo usa e que fala para todos os brasileiros. Quem é que nunca usou uma  sandálias havaianas? Não dá para ter somente um único par, né?”.

Monique Corrêa, também digital influencer, acredita que  esta ação das Havaianas “muda a visão” que as marcas têm sobre as influencers negras. “Nós, mulheres negras, temos sim a capacidade de influenciar nossos seguidores. A gente compartilha ideias e tendências que elevem a nossa autoestima e bem estar.  Ao nos chamar, a marca diz para o mercado que nós também temos importância no mundo digital. Falar de Havaianas é falar de conforto e praticidade sem perder o estilo. Eu adoro”.

Foto: Divulgação/Havaianas

Monique Corrêa, Maíra Azevedo e Luane Dias participaram do evento a convite das Havaianas

Vogue Eyewear

Convidadas pela marca de óculos Vogue Eyewear, as digitais influencers Nathália Gibson e Kaísa Eckhardt, que estão pela primeira vez na Bahia, elogiram o evento.

” Moda é trasparecer quem você é, mostrar a sua energia.  Este evento é uma oportunidade que os estilistas estão tendo de mostrar a sua marca para o Brasil. Vi que tem gente de todos os lugares do país aqui, isso é positivo.  O Brasil precisa reconhecer a sua moda, sua estamparia, mostrar o seu regionalismo, as suas outras cores e locais”, disse Nathália Gibson.

Para Kakau Eckhardt, o Fashion Resort é significa pluralidade. “Acho válida a ideia de se fazer um evento no qual se mostre os regionalismos e as outras cores do Brasil. A moda de todos os cantos do país têm o seu valor. Moda é a representação de diferentes biotipos, estampas e recortes. Que bom que as pessoas estão percebendo  isto. Como digital influencer negra quero passar esta pluralidade e inclusão para as minhas seguidoras” .

Fotos: @nathaliagibson/instagram|@kakaueckhardt/instagram 

Nathalia Gibson e Kaísa Eckhardt foram convidadas pela Vogue Eyewear e estiveram na Bahia pela primeira vez

Modelos Negros

Diogo Arcanjo é de Salvador e já modela há 14 anos e para ele, a moda é uma maneira de as pessoas se autovalorizarem.

“A moda significa uma direcionamento para as pessoas melhor se exergarem, gostarem mais de si mesmas, pelo menos, eu considero que seja isso.  Quando eu estou na passarela, desfilando ou tirando foto, eu me sinto muito bem comigo mesmo. Não é só se sentir bonito é se sentir autoconfiante”, disse.  Diogo crê que o mercado da moda está mais inclusivo em relação aos modelos negros, no entanto, ainda tem muita coisa a ser mudada.

“A coisa melhorou um pouco, mas é preciso ainda avançarmos quanto esta questão. Negros também consomem moda e querem se ver ali e isso traz retorno. Uma vez, eu fiz um trabalho que reunia 70 pessoas modelando, eu era o único negro. Isso é inadmissível. Eu me perguntei: cadê o meu povo que não está aqui? Isso é frustrante. Falar sobre moda é falar sobre representatividade do povo negro ocupando esses espaços. Ser negro é ser lindo”.

Fotos: Morgana Montalvão

Geise Dias também é soteropolitana e modela há 4 anos. Ela crê que ser uma modelo negra é ser especial. ” Eu sou pura melanina isso é maravilhoso. Ser uma modelo negra é carregar uma bandeira contra o preconceito que ainda está longe de acabar. Tem gente que acha que ser modelo é viver em um eterno glamour o tempo inteiro. Nada disso. A gente tem que fazer tudo o que a marca pede, às vezes tomamos um esporro na frente de todo mundo, não é fácil, mas faz parte da profissão”. 

Foto: Morgana Montalvão

Sammy Santana é de Lauro de Freitas e modela há somente 9 meses. Para ela, ser uma modelo negra é ultrapassar limites.”Você tem que aceitar que você é negra até porque o tempo inteiro você vai ser julgado, criticado. Estou há pouco tempo no mercado mas acredito que ser uma modelo negra é ser poderosa, desafiadora é ser únca. A gente chega para fazer a diferença.”, diz

Foto: Morgana Montalvão

A jornalista viajou a convite da Agência Lema de Comunicação para a cobertura do evento.

Por: Morgana Montalvão

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