Mensagens mostram que Moro interferiu em investigações da Lava Jato

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Reportagem do site The Intercept teve acesso a conversas entre Moro e procurador Deltan Dallagnol

O site The Intercept revelou neste domingo (9) conversas antigas entre o então juiz federal Sérgio Moro e o Procurador da República Deltan Dallagnol. Segundo os registros, os dois trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Operação Lava Jato. As conversas aconteceram no aplicativo entre 2015 e 2018. O The Intercept foi fundado pelo jornalista americano Glenn Greenwald, radicado no Brasil.

De acordo com a reportagem, “Moro sugeriu ao procurador que trocasse a ordem de fases da Lava Jato, cobrou agilidade em novas operações, deu conselhos estratégicos e pistas informais de investigação, antecipou ao menos uma decisão, criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público e deu broncas em Dallagnol como se ele fosse um superior hierárquico dos procuradores e da Polícia Federal”.

Os registros dão a entender que Moro se envolveu no trabalho do Ministério Público, o que, segundo especialistas em direito, pode significar desvio ético. Uma das mensagens é a seguinte: “Olá Diante dos últimos . desdobramentos talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejada (sic)”, escreveu Moro a Dallagnol em fevereiro 2016, referindo-se a fases da investigação. As mensagens foram reproduzidas da forma como o site as publicou, sem correções ou revisão gramatical.

O Procurador Deltan Dallagnol (Foto:Donaldo Hadlich/Estadão Conteúdo)

Em agosto do mesmo ano, depois de decorrido o período de quase um mês sem novas operações da força-tarefa, o ex-magistrado perguntou: “Não é muito tempo sem operação?”. A decisão, em tese, caberia aos investigadores, e não ao juiz do caso. “É sim”, respondeu Dallagnol, de acordo com o Intercept. A operação seguinte ocorreu três semanas depois do diálogo com o magistrado.

Após a divulgação da matéria, procuradores da Lava Jato divulgaram nota classificando a divulgação das mensagens como um “ataque criminoso à Lava Jato” e acrescentaram que o caso põe em risco a segurança de seus integrantes.
Na troca de mensagens, membros da força-tarefa fazem referências a casos como o processo que culminou com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex de Guarujá.

Fonte: Correio da Bahia


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