Ortotanásia: prática limita intervenção médica em busca de morte natural e digna

0
Foto: Divulgação

Ortotanásia: prática limita intervenção médica em busca de morte natural e digna

Personagem de Antônio Fagundes na novela Bom Sucesso propõe discussão sobre finitude  da vida e direito do paciente terminal de definir como quer morrer

Falar da morte é um tabu em muitas culturas, inclusive na brasileira, que evita pensar no processo de finitude da vida. Contudo, o assunto ganhou notoriedade ao ser abordado ao longo da novela Bom Sucesso, da Rede Globo, por meio da história do personagem interpretado por Antônio Fagundes, que tem uma doença terminal. Os últimos capítulos levantou um novo viés sobre o tema: a ortotanásia.

Sem querer prolongar seus últimos dias com sofrimento, Alberto cogitou fazer a eutanásia – quando se mata um paciente por compaixão -, mas como o procedimento é proibido no Brasil, seu advogado, vivido pelo ator Eduardo Galvão, apresentou a possibilidade dele fazer uma declaração de ortotanásia. Nesta, ele deixaria clara sua decisão de não ser submetido à procedimentos invasivos para adiar sua morte, mesmo comprometendo sua qualidade de vida. Essa iniciativa é prevista pelo Conselho Federal de Medicina, que nomeou essa prática como “Diretivas Antecipadas de Vontade”.

A novela fala em uma morte mais humana, citando o livro “A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver”, de Ana Claudia Arantes. No folhetim, Alberto lê o seguinte trecho da obra: “Embora os avanços científicos na medicina tenham sequestrado a morte para dentro do hospital, quase como um evento proibido, ela tem que ser devolvida para a humanidade. Temos direito a uma morte digna, tanto como temos direito a uma vida digna”.

Nesse cenário, o tema dos Cuidados Paliativos vem sendo discutido com maior frequência. “Cuidados Paliativos é uma abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento”, é o que explica Patrícia Fontes Bagano, médica paliativista da S.O.S. Vida.

Para a médica, é preciso reconhecer os limites terapêuticos dos tratamentos modificadores do curso da doença e humanizar o processo do “morrer”.

“É preciso sempre respeitar a singularidade de cada paciente e suas famílias.  Esse é papel da medicina paliativa no atual cenário de desenvolvimento tecnológico da nossa sociedade.  Temos hoje uma discussão a nível mundial”, completa a médica.

Para evitar esse sofrimento, a Organização Mundial de Saúde (OMS) defende a promoção de cuidados paliativos, que são intervenções médicas realizadas com o intuito de controlar a dor e outros sintomas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente dentro das limitações impostas pela doença. Desta forma, o foco passa a ser no paciente e seu bem-estar, e não, na doença.

Apoio psicológico – Para isso, o tratamento é multidisciplinar, prevendo não apenas intervenções físicas, como psicológicas, sociais e espirituais. A psicóloga da S.O.S. Vida Cláudia Cruz explica que é importante que a pessoa com uma doença terminal e sua família tenham um momento de escuta e acolhimento, auxiliando no processo de avaliação da sua vivência. “O suporte psicológico ajuda a lidar com o sofrimento, para entender que a morte é um processo natural da vida. Mas que é possível ressignificar esse momento, focando na vida e pensando o que eu gostaria de fazer nesse tempo”, pondera.

Desta forma, os pacientes têm a oportunidade de resolver pendências e avaliar como querem passar os últimos dias de sua vida. Também há espaço para o luto antecipatório da família, que vivencia perdas diárias e necessita de suporte para lidar com esse momento.

Cuidados Paliativos em casa – Diversos estudos indicam que a maioria dos paciente preferem morrer em casa, por diversos motivos – entre eles, o fato de estar em um ambiente aconchegante, próximo a família.

“Muitas vezes, o paciente pode ter condições de voltar para casa, estar no seio da família e de não sofrer com medidas que só vão lhe causar mais dor, mais sofrimento, mas que não vão proporcionar uma sobrevida de qualidade. Muitas vezes prolonga a vida, mas em que condições esse tempo será prolongado?”, questiona a Alessandra Barretto, médica paliativista na S.O.S. Vida.

Mas para que isso ocorra de forma adequada, é preciso um serviço de Home Care para oferecer a estrutura necessária para controlar os sintomas característicos de doenças graves, já que seria impossível para a família realizar os cuidados sem esse suporte.

Paula Pitta/Líder de Contas

ATcom – Estratégia, Relacionamento e Conteúdo

71 3271.7171 | 9-9918-9638

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui