Produtores culturais baianos se unem e fundam associação para enfrentar profunda crise

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Moacyr Villas Boas, presidente da ABAPE

Classe é historicamente esquecida e negligenciada pelo poder público e dificuldades e desafios tornaram-se ainda mais evidentes em tempos de pandemia

Mais de 50 empresas, das áreas de cultura e entretenimento, uniram-se para fundar a ABAPE – Associação Baiana das Produtoras de Eventos, com o objetivo de lutar por representatividade e melhores condições de trabalho para empresas e profissionais do ramo cultural e de entretenimento. Apesar de ser um dos setores que mais emprega no Brasil, responsável por mais de 25 milhões de empregos diretos e indiretos, o setor das empresas e profissionais que trabalham na indústria da cultura e do entretenimento passa longe das prioridades governamentais, quando o assunto é o reconhecimento do seu poder de geração de emprego e renda.

“As pessoas, e com o poder público não é diferente, não conseguem entender a dimensão da cadeia de profissionais que está por trás de um evento. Por trás de todo aquele universo mágico dos palcos e seus artistas, existem inúmeros profissionais cujas famílias dependem diretamente daquele trabalho que acontece nos bastidores. Não se pode reduzir tudo ao termo “festa”, que muitas vezes é usado de forma pejorativa para nivelar todos os tipos de evento. Nós não fazemos festa, nós fazemos negócio, fazemos arte e arte é trabalho e precisa ser entendida como tal,” declara dr.

Oficialmente fundada no dia último dia 16 de dezembro, a ABAPE é resultado da luta de vários anos de um pequeno grupo que busca unir uma classe que é tradicionalmente dispersa. “Nosso pouco reconhecimento não é condizente com o que, de fato, representamos na balança da economia. Somos geradores de riqueza; somos um dos setores que mais emprega no Brasil. Mas é evidente que alguns setores da economia estão tendo tratamentos diferenciados por parte dos gestores públicos. As famílias que sobrevivem desse setor não estão tendo suas necessidades básicas atendidas, pois estão impedidas de trabalhar, por determinação do poder público, que muito pouco ou nada tem feito para mitigar a crise do setor que mais duramente está sendo atingido pelos efeitos da pandemia,” completou Villas Boas.

Atualmente, a ABAPE conta com cerca de 50 empresas associadas, entre grandes, médias e pequenas, responsáveis por grande parte dos eventos culturais realizados na Bahia.  A expectativa é que, até meados de 2021, o número de filiados passe dos 250 em todo o estado. As empresas do ramo que estiverem interessadas em se associar, podem entrar em contato com a associação através do email abapebahia@gmail.com  .

“Precisamos ser ouvidos. Precisamos que os gestores públicos e a sociedade entendam melhor a engrenagem e o funcionamento desse setor. Estamos dispostos a estudar a melhor forma de administrar essa crise. Entendemos a gravidade da situação e o poder de letalidade desse vírus. Mas é preciso abrir um diálogo com a classe e encontrar formas de garantir que os nossos profissionais ganhem seu sustento de forma digna.  A solução não pode continuar sendo os decretos, em si, proibindo todas as formas de trabalho da categoria de maneira ditatorial e sem medir as consequências”, finaliza Moacyr Villas Boas.  

NÚMEROS DO SETOR

Foi o setor mais afetado pela atual pandemia do coronavírus – 98% do setor foi diretamente prejudicado – Fonte Sebrae e Abeoc (Associação Brasileira de Empresas de Eventos)

Responsável por cerca de 25 milhões de empregos diretos e indiretos – Fonte ABRAPE (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos)

Movimenta mais de 936 bilhões, o que representa 12,93% do PIB nacional – segundo último levantamento feito pela Abeoc Brasil em parceria com o Sebrae.

Ainda de acordo com a Abeoc, Sebrae e Universidade Federal Fluminense, entre 2013 e 2019, estima-se que o setor de eventos cresceu uma média de 6,5% ao ano.

Por: Doris Pinheiro

http://www.camacari.ba.gov.br/cadastro/

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